O sequestro de um avatar no Second Life simulador da vida real, em um mundo virtual totalmente 3D virou caso de investigação com a c
ontratação de um detetive particular em Campinas. O avatar é
o personagem criado para participar da “segunda vida”. O seqüestrador,
um garoto menor de idade morador da periferia do Guarujá, extorquiu Rodrigo
(nome fictício), de 22 anos, a ponto de os pais dele acharem que o filho
sofria graves ameaças pela internet. Rodrigo entrou em depressão,
parou de comer, não dormia mais e confundiu literalmente a vida virtual com
a vida real.
No Second Life, o linden — a moeda virtual — pode ser trocado por dólares
ou reais e em dois anos de vida irreal Rodrigo havia construído um verdadeiro
império: tinha uma ilha e mais de R$ 1 milhão de lindens. E para se
conseguir R$ 1 são necessários cerca de 200 lindens, ou seja R$ 5
mil. Com isso era um homem-avatar cobiçado e invejado no mundo virtual.
De acordo com o gerente comercial da Kaizen, escritório que representa o
Second Life no Brasil, Diogo Silva, além do dinheiro, as pessoas criam vínculos
afetivos com os seus avatares. Logo, ter o personagem seqüestrado é
como ter o rosto “desconfigurado” na vida real.
Rodrigo sempre foi vidrado por computador e cabia aos pais arrumar meios e distrações
para tentar com que ele desgrudasse um pouco da máquina. Mas o rapaz sempre
dava um jeito de acessar a internet onde estivesse. E foi em uma lan house no Guarujá,
durante uma viagem com os pais ao Litoral, que a senha dele foi criptografada. Assim
começaram as extorsões e a vida de toda uma família se tornou
um transtorno.
F.B, a mãe de Rodrigo, afirmou que não conseguia entender o que estava
acontecendo com o filho. Além da alteração brusca de comportamento,
ele “não queria mais saber da vida”. Como Rodrigo não
contou para os pais sobre os problemas que passava e não saía da frente
do computador, a família decidiu contratar o detetive particular André
Cardelli para desvendar o mistério.
Cardelli fiscalizou o computador de Rodrigo com um mouse com a função de grampo. Então eu vi que o garoto estava sendo chantageado em R$ 15 mil para ter o avatar devolvido. Cardelli descobriu que as mensagens estavam sendo enviadas para Rodrigo de um computador de uma lan house no Guarujá a mesma utilizada pela vítima.
O motivo do rapaz não dormir é que ele passava horas com os amigos
pelo MSN ou e-mail comentando o assunto e tentando juntar o dinheiro necessário
para pagar o resgate do avatar. Para Rodrigo, era como se a vida dele — a
real — tivesse realmente acabado.
O detetive foi até o local e descobriu que o seqüestrador virtual era um freqüentador da lan house. O seqüestrador foi descoberto, mas o avatar nunca foi devolvido. Para os pais, o caso estava solucionado. Para o filho, tratamento com médicos no intuito de superar o trauma e aprender a viver em um mundo real. Mesmo sem gostar, hoje ele pratica esportes e o acesso ao computador é totalmente controlado pela mãe.
“Eu não sabia o que estava acontecendo com o meu filho. Só sei
que ele estava sofrendo muito. Começamos a desconfiar que tinha algum problema
porque ele estava muito estranho. Tentava conversar com ele, mas ele não
falava, só usava roupas pretas e não queria mais saber dos amigos.
Eu não sabia que existia o Second Life e que esse poderia ser o problema
dele”, afirmou F.
A saga
Quando Rodrigo decidiu viver no mundo virtual ele não tinha nada. Para ganhar
dinheiro passou a promover encontros de jogos online. Conforme ia evoluindo no jogo, vendia suas senhas dentro do Second Life para outros fanáticos por games. Assim, em seis meses conseguiu mais de 1 milhão de lindens.
Rodrigo comprou uma ilha, que funcionava como uma comunidade de aficionados por
jogos online. Como proprietário da ilha, cobrava de quem queria entrar e,
além das senhas, também vendia dicas. Num dado momento, Rodrigo chegou
a ter 2 milhões de lindens. E virou um alvo para a violência virtual.
Há quem fature no virtual a grana do real
O gerente comercial da Kaizen, Diogo Silva,
que é o representante do escritório que representa o Second Life no Brasil, disse que existem pessoas que conseguem dinheiro e vivem na vida real somente com o trabalho realizado dentro do mundo virtual. Isso porque os lindens moeda do Second Life podem ser convertidos em dinheiro real, de acordo com uma taxa cambial.
Segundo Silva, existem outros jogos onde personagens também são seqüestrados
porque atingiram um nível de excelência, por exemplo, invejado pelos
demais participantes. Em alguns casos, alcançar níveis avançados
em games significa mais dinheiro — virtual — para comprar armas ou poderes.
Silva afirmou que a Kaizen possui mecanismos para recuperar avatares seqüestrados,
desde que o “crime” seja comprovado. Ele contou que em alguns casos
seqüestros são forjados pelos donos dos avatares. “Tem gente que
tem muita coisa dentro do Second Life e vende a senha. Só que e depois entra
em contato para falar que foi seqüestro”, diz. (MFR/AAN)
Outros games são alvo de roubos
Há casos em que o jogador é literalmente levado por quadrilhas
e chantageado
Em julho do ano passado, uma quadrilha composta por quatro jovens foi presa por policiais civis da Divisão Anti-Seqüestro (DAS) de São Paulo. Eles eram suspeitos de seqüestrar um jovem para conseguir sua senha no jogo Gunbound.
O jovem, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP)
à época era líder no ranking do Gunbound, game que só
pode ser jogado online, por meio de servidores repletos de usuários de todo
o mundo, inclusive brasileiros. Assim como em um RPG, quanto maior o número
de vitórias conquistadas, mais pontos de experiência são ganhos
e, com eles, o dinheiro virtual necessário para comprar armas e equipamentos
para sua equipe.
A intenção da quadrilha, segundo a SSP, era a de obrigar o jovem a
fornecer sua senha para que eles vendessem a pontuação — e o
lugar no ranking — por R$ 15 mil usando o site Youtube. Porém, mesmo
com uma arma apontada na cabeça durante cinco horas, a vítima não
revelou a senha e a quadrilha acabou presa pela polícia.
GunBound WC é um MMO casual de estratégia e tiro em turnos, que se
passa no distante sistema solar de Round, onde representantes dos oitos planetas
do sistema se preparam para uma batalha jamais vista.(MFR/AAN)
1. Pais pagam detetive para saber
se filhos usam drogas
DANIELA TÓFOLI
da Folha de S.Paulo
Infiltrar um agente secreto no colégio do filho, instalar uma câmera
oculta no quarto dele e contratar um detetive particular a fim de segui-lo.
Para ter certeza de que os adolescentes estão mesmo consumindo drogas
e acabar com as dúvidas definitivamente, cada vez mais pais recorrem a serviços
profissionais de investigação. Nos últimos três anos,
afirmam os detetives, a procura aumentou cerca de 50%. O fato é que muitos
pais, principalmente de meninos entre 14 e 17 anos, cansaram de interrogar seus
filhos e decidiram comprar as provas.
Fotografias, vídeos e até escuta telefônica sãs as
armas que precisam para tomar uma atitude e tentar afastá-los das drogas.
"Quando um pai me procura, costuma estar desesperado. Ele já sabe que o filho
consome entorpecentes, mas quer ter certeza e saber detalhes", conta Mário
Biolada, detetive há quinze anos. Em 2005, ele abriu a Agência Brasileira
de Investigações Confidenciais.
De acordo com Biolada e mais três detetives que fazem esse tipo de trabalho,
mais de 90% das suspeitas acabam se confirmando ao longo das investigações.
"A família sabe o que está acontecendo, mas,
como não consegue abordar o assunto, quer as provas para impedir que o adolescente
negue", afirma André Cardelli detetive a mais de dez anos.
O detetive conta que a maioria dos pais ajuda nas investigações. "São
eles que pedem para colocarmos câmeras escondidas em carros e quartos, monitorarmos
o computador e o telefone e, até, infiltrarmos agentes nas escolas. Tudo
para saber detalhes do que está acontecendo com o jovem."
O trabalho dos investigadores, porém, nem sempre é simples.
Entrar em baladas, raves e shows sem que o equipamento de filmagem ou fotografia
seja identificado e fazer flagras em banheiros ou dentro de carros requer habilidade
e paciência. Uma investigação completa costuma durar entre 10
e 20 dias. Esse tipo de serviço custa, em média, R$ 3 mil.
"São casos trabalhosos porque as provas são difíceis de
conseguir", diz Paulo Borges, da Detetives do Brasil. "Mas não são
perigosos porque hoje o jovem não precisa mais ir até a boca comprar
drogas. Elas vão até eles, muitas vezes levadas pelos próprios
amigos."
Ecstasy é a droga do momento, usada principalmente à noite, em
festas. Maconha, por ser mais barata, também é bastante consumida,
geralmente durante o dia.
"Apesar de a maioria dos clientes ter filhos meninos, o número de famílias
de meninas vem aumentando ano a ano", afirma Elian Faquinello, da Agência
de Investigação Particular e Levantamento de Informações
Reservadas.
Uma mistura de sexo e drogas envolvendo uma garota de 15 anos foi o caso mais
chocante que Biolada já presenciou. Após consumir álcool e
entorpecentes pesados, a menina se envolveu sexualmente com vários rapazes
ao mesmo tempo.
"Foi uma cena triste, degradante. Eu pensava nos pais dela e tinha vontade de
intervir, mas fiz minha parte. Entreguei as provas e a família decidiu como
devia agir", afirma.
Sem interferência
O trabalho de um detetive acaba quando o relatório final é entregue
à família. A partir daí, ele não pode mais se envolver
nem dá palpites no caso.
"Não recomendamos tratamento nem orientamos sobre o que cada pai deve
fazer porque é uma questão muito íntima, mas nos sentimos recompensados
quando sabemos que um jovem deixou o vício", conta Faquinello. Sua recompensa
veio há pouco tempo, quando soube que um dos jovens que investigou e também
outro rapaz conseguiram se recuperar.
"Descobri que era um membro da própria família, rica e tradicional,
quem passava drogas para o rapaz. Quando os parentes descobriram, colocaram os dois
em tratamento. Agora, eles estão bem. O trabalho valeu a pena."
2. Campineiro tem seu laptop
‘seqüestrado’ dentro de aeroporto
Caso ocorreu em Curitiba (PR) e, dias depois, vítima recebeu pedido de
resgate de R$ 15 mil
Correio Popular
Fábio Gallacci
Da Agência Anhangüera
gallacci@rac.com.br
Uma nova modalidade de crime está dificultando o trabalho das autoridades
policiais para colocar as mãos em seus autores e fazendo vítimas na
região de Campinas: o seqüestro de computadores e laptops. O campineiro
R., de 26 anos, que trabalha na área de informática, teve o seu laptop
furtado no Aeroporto de Curitiba, no Paraná, no início deste ano.
O ladrão retirou o equipamento de uma mochila e colocou uma lista telefônica
no lugar para não despertar suspeitas. Dias depois, na página de R.
no Orkut — site de relacionamento e troca de informações da
internet — surgiu uma mensagem eletrônica de um desconhecido informando
que o HD (onde ficam gravados todos os arquivos) de sua máquina havia sido
encontrado e que ele estava disposto a devolvê-lo ao seu verdadeiro dono.
O problema foi a condição: a peça que cabe na palma da mão,
só seria entregue com um pagamento prévio de R$ 15 mil.
“Troquei dez e-mails com essa pessoa, sempre com a intenção
de tentar saber de onde ela estava mandando as mensagens. A princípio, ela
parecia amiga e disposta a me ajudar. A cobrança só veio no final”,
conta R., que procurou a ajuda de um detetive campineiro, especializado em criminologia
digital "André Cardelli" e a polícia.
A troca de e-mails possibilitou que o computador de onde saíam
as mensagens fosse identificado e localizado." Policiais paranaenses surpreenderam
o ladrão em uma lan house (casa de jogos de computador) em Curitiba. O HD
foi devolvido ao dono. “Minha tese de mestrado inteira sobre Ciência
da Computação estava armazenada no HD, entre outras coisas. Felizmente,
recuperei tudo”, comenta R., que agora tem tomado cuidado com as informações
que disponibiliza em sites da internet. “É muita coisa sendo mostrada
e muita gente tendo acesso fácil a isso. Os criminosos já transformaram
esses sites em um meio de agir”, alerta o detetive "André Cardelli".
Em outro caso, também envolvendo um campineiro, a polícia manteve
sob sigilo o nome da vítima e o valor do resgate pedido. O que se sabe é
que a pessoa trabalha em uma empresa que costuma dar férias coletivas a seus
funcionários. No final do ano passado, o computador da vítima foi
roubado e os ladrões cobraram um valor para que a máquina voltasse.
A fonte da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) afirma que o caso
ainda está sob investigação e a máquina não havia
aparecido.
“As informações contidas nesses computadores ou laptops,
muitas vezes, são mais valiosas do que o próprio aparelho em si”,
confirma um integrante do Setor de Inteligência da Delegacia de Investigações
Gerais (DIG) de Campinas. Ele lembra que os envolvidos neste tipo de crime são
enquadrados no artigo 158 do Código Penal, que trata da extorsão,
o mesmo dos seqüestros convencionais já tão conhecidos. O texto
diz literalmente ser crime “constranger alguém, mediante violência
ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma
coisa”. A pena é de reclusão e vai de quatro a dez anos, além
de multa.
Clipping Eletrônico - Departamento de Comunicação, PUC-Campinas
29/01/2006
Elas estão sempre lotadas de moleques de olhos vidrados na telinha do computador
e pais preocupados com as horas intermináveis que seus filhos passam participando
de tiroteios, guerras ou lutas virtuais.
Mas um novo tipo de cliente tem visitado as Lan Houses com cada vez mais freqüência
no Brasil: os hackers. E o jogo deles é outro: destruir bancos de dados,
roubar informações, alterar o funcionamento das máquinas ou
simplesmente transformar a vida da vítima em um inferno por puro prazer.
De acordo com o consultor de segurança André Cardelli,
de Campinas, especializado em desvendar crimes virtuais, as Lan Houses são
o ambiente ideal para os criminosos virtuais porque é muito difícil
conseguir identificá-los. Mesmo que a máquina usada para um ato ilícito
seja localizada, nunca há tempo hábil para colocar as mãos
no autor do crime.
"Quem trabalha com internet não se preocupa em fazer um cadastro
para saber quem está usando o computador, para qual motivo e com que freqüência.
Isso faz com que a rede se transforme em uma cortina de fumaça para os criminosos",
comenta Cardelli.
No caso das Lan Houses, a prevenção fica ainda mais fácil
porque raramente algum proprietário controla de perto o que cada cliente
está fazendo. Nas de grande porte, o território para ações
criminosas é praticamente livre. Muitas Lans sequer fazem um simples cadastro
com os nomes e telefones de seus freqüentadores.
"Nos EUA, um mecanismo facilita a localização das
pessoas envolvidas em crimes cibernéticos, ou pelo menos o ponto onde está
a máquina utilizada por elas, e repassa as informações para
o FBI. Tudo muito ágil", diz Cardelli.
O conceito Lan House foi introduzido e difundido na Coréia do Sul, em
1996. No Brasil, elas chegaram em 1998, a partir de São Paulo. Além
de jogar, os freqüentadores também podem acessar a internet, fazer pesquisas
e checar e-mails.
Hoje, são cerca de 12 mil Lan Houses no Estado de São. Segundo
informações do sindicato dos proprietários, os hackers se aproveitam
do tempo disponível e da falta de controle para "capturar" informações
pessoais de internautas, como endereços e cartões de banco - que depois
são comercializadas em verdadeiros “leilões” na internet.
A falta de uma legislação específica sobre os crimes na rede
de computadores é outro fator que torna ainda mais tranqüila a vida
dos criminosos.
Em setembro de 2004, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Campinas,
Richard Pae Kim, baixou a portaria número 03/2004, que buscava disciplinar
e autorizar mediante alvará a entrada e permanência de crianças
e jovens nas Lan Houses.
Com isso, jogadores com menos de 10 anos de idade só entram nas lojas
acompanhados dos pais ou responsáveis. Clientes entre 10 e 16 anos devem
apresentar uma autorização por escrito, com a assinatura com firma
reconhecida da pessoa responsável.
Os menores de 16 anos também estão proibidos de permanecer nas
Lan Houses após as 22h e menores de 18 anos a partir da meia-noite.
Desrespeitar essas normas de conduta significa infringir os artigos 249 e 258
do Estatuto da Criança e do Adolescente - e multa de três a vinte salários
mínimos. Em caso de reincidência, a punição é
dobrada.
Este mês, o governo estadual sancionou uma lei que proíbe que menores
de 12 anos freqüentem Lan Houses e Cybercafés sem que estejam acompanhados
dos pais ou responsáveis.
Pela nova determinação, os jovens que possuírem a autorização
serão obrigados a fazer um cadastro nos locais que freqüentam. Os Cybercafés,
por sua vez, serão obrigados a impedir que as crianças ou adolescentes
fiquem mais de três horas initerruptas no computador.
O NÚMERO
12 mil
LAN HOUSES
Total aproximado de estabelecimentos em atividade hoje no Estado de São
Paulo.
4. Clonagem de cartões fica
mais fácil com a internet
Já é possível comprar na rede aparelhos usados para montar
os “chupa-cabras”
Correio Popular
Patrícia Azevedo
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
A internet coloca tudo ao alcance das mãos. Com um clique é possível
mandar flores, fazer compras e, para os mal-intencionados, comprar aparelhos de
espionagem e equipamentos que permitem construir os chamados “chupa-cabras”,
mecanismos que roubam e armazenam dados de cartões bancários e de
créditos.
Estes equipamentos têm uso autorizado, como é o caso do coletor
de dados de cartão magnético. O aparelho portátil costuma ser
usado em clubes, condomínios e academias para controlar e liberar o acesso
dos sócios. “Ele tem uma aplicação prática em
empresas e por isso é vendido de maneira legal, mas também pode ser
usado de forma errada para clonar cartões”, afirma um policial civil
que pede sigilo sobre a sua identidade.
De acordo com este policial, uma adequação no aparelho permite
transformá-lo no chamado “chupa-cabras”. De posse dos dados,
quadrilhas de estelionatários conseguem clonar cartões bancários
e de créditos.
E o número de fraudes bancárias e eletrônicas cresceu vertiginosamente
em todo o Brasil no ano passado. De acordo com dados do Grupo de Resposta a Incidentes
para a Internet Brasileira, mantido pelo Comitê Gestor da Internet, no terceiro
semestre de 2005 o crescimento foi de 259% em relação ao trimestre
anterior, passando de 2.213 para 7.942 notificações de fraudes. Na
comparação com o mesmo período do ano anterior, o aumento chegou
a 1313%.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) não
dispõe de estatísticas sobre estes tipos de crimes, mas a estimativa
é que sejam registrados mais de 100 ocorrências por mês somente
em duas delegacias de Campinas.
Com estes cartões em mãos, os falsários fazem compras e
ajudam a acumular um prejuízo astronômico para bancos e administradoras
de cartões de créditos. De acordo com Jair Scalco, diretor setorial
da área de Cartões e Negócios Eletrônicos da Federação
Brasileira de Bancos (Febraban), somente neste ano, os bancos brasileiros tiveram
um prejuízo de R$ 300 milhões com estes tipos de crime. Esta realidade
força os bancos e operadoras de cartões de crédito a investirem
cada vez mais em novos softwares e mecanismos que garantam a segurança dos
clientes.
A expectativa da Febraban é a de que as instituições apliquem
cerca de US$ 1 bilhão no sistema para melhorar a segurança dos clientes,
sejam usuários de cartões bancários ou do acesso de contas
pela internet. Entre as novas tecnologias estão o token (uma chave com senha
extra que muda a cada minuto e pode ser usado nos computadores por meio da entrada
USB ou nos caixas eletrônicos), o smart card (um cartão inteligente
com chip) e cartões de senhas (com códigos extras que devem ser digitadas
conforme o pedido do banco).
O detetive particular especializado em crimes eletrônicos
André Cardelli acrescenta, no entanto, que clonar cartões bancários
não é uma tarefa para qualquer um. “É necessário
que seja uma quadrilha organizada e que tenha entre eles alguém com conhecimento
em tecnologia e instrumentação eletrônica”, considera.
Mas com os equipamentos de espionagem é possível grampear
ligações telefônicas, copiar dados de computadores e usar estas
informações de forma ilegal. “Com um grampo, a pessoa consegue
aplicar pequenos golpes usando as informações roubadas, mas nada que
cause grandes prejuízos ao sistema”, acrescenta Cardelli.
Na avaliação de Cardelli, a venda destes equipamentos
não deve ser proibida. “O correto seria orientar os usuários
sobre os riscos de entregar o seu cartão nas mãos de funcionários
para pagar compras.”
Os próprios sites reconhecem que os produtos que vendem podem
ser usados de forma ilegal. Em um deles, o aviso diz que “vários de
nossos equipamentos não são vendidos nos EUA e em outros países
que proíbem a importação dos mesmos. É de responsabilidade
do comprador obedecer as leis de importação e uso de equipamento para
o país que se destina”.
O número de fraudes bancárias e eletrônicas cresce vertiginosamente
em todo o Brasil. A Secretaria de Segurança Pública de São
Paulo (SSP) não dispõe de estatísticas sobre estes tipos de
crimes, mas um levantamento da reportagem da Agência Anhangüera de Notícias
(AAN) nas duas delegacias de Campinas onde se situam a maior parte dos bancos apontou
que o número de ocorrências nos nove primeiros dias de novembro chegaram
a 40. Somente no 1º Distrito Policial (DP), que abrange a região central
da cidade, foram computados 27 boletins de ocorrência referentes a saques
ilegais e outros tipos de fraudes bancárias. A estimativa é a de que
sejam registradas mais de 100 ocorrências por mês nas duas delegacias.
De acordo com dados do Grupo de Resposta a Incidentes para a Internet Brasileira,
mantido pelo Comitê Gestor da Internet, o crescimento das fraudes no segundo
trimestre deste ano foi de 259% em relação ao trimestre anterior,
passando de 2.213 para 7.942 notificações de fraudes. Na comparação
com o mesmo período do ano anterior, o aumento chegou a 1.313%.
O prejuízo provocado pelo uso de mecanismos conhecidos como “chupacabras”,
que clonam cartões e roubam dados, é milionário. De acordo
com Jair Scalco, diretor setorial da área de Cartões e Negócios
Eletrônicos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), somente
neste ano os bancos brasileiros tiveram um prejuízo de R$ 300 milhões
com estes tipos de crime. Esta realidade força as instituições
e as operadoras de cartões de crédito a investirem cada vez mais em
novos softwares e mecanismos que garantam a segurança dos clientes.
A expectativa da Febraban é que as empresas apliquem cerca de US$ 1 bilhão
no sistema para melhorar a segurança dos clientes, sejam usuários
de cartões bancários ou do acesso de contas pela internet, o Internet
Banking. Entre as novas tecnologias estão o token (uma chave com senha extra
que muda a cada minuto e pode ser usado nos computadores por meio da entrada USB
ou nos caixas eletrônicos), o smart card (um cartão inteligente com
chip) e cartões de senhas (senhas extras que devem ser digitadas conforme
o pedido do banco).
Mesmo com estes mecanismos, o bancário Paulo, de 49 anos, não escapou
de ser vítima de uma quadrilha que clona cartões de crédito
e débito em caixas eletrônicos de Campinas. No último dia 4,
ele recebeu uma ligação da operadora do seu cartão de crédito
questionando se ele estava realizando saques com o cartão. “Eles perceberam
que a atitude não condizia com o meu perfil e me ligaram para confirmar.
Eu neguei e fui até a delegacia fazer um BO (boletim de ocorrência)
”, relata. Os bandidos chegaram a sacar R$ 7 mil em seu nome.
A secretária Shirley, de 32 anos, também teve o seu cartão
clonado por bandidos. “Meu chão caiu quando tirei o extrato do banco
e vi que a conta estava negativa em mais de R$ 4 mil”, disse. Ela conta que
acionou imediatamente o banco e que teve o seu dinheiro ressarcido.
SAIBA MAIS
CUIDADO COM ESTES E-MAILS
Informe de contas em atraso da Embratel
Informe de cancelamento do título de eleitor (TSE)
Informe de débitos junto ao Serasa
Aviso dizendo que você está sendo traído
GOLPES MAIS COMUNS
Clonagem de cartão bancário nos caixas eletrônicos
Clonagem de cartão de crédito
Roubo de dados por meio de programas espiões vindos por e-mail
Transferência de créditos para outros celulares
Roubo de senhas por hackers que ficam de plantão nos aeroportos para atacar
laptops
Grampo telefônico de call centers para roubo de dados dos clientes
DICAS DE SEGURANÇA
Prefira usar caixas eletrônicos de agências bancárias e shoppings
que tenham vigilância para não ter
o cartão clonado
Não use telefones sem fio para consultar informações bancária,
prefira o celular e o fax
Instale um programa firewall em seu computador
Não use laptops em aeroportos sem firewall
Peça ao seu banco a tabela de senhas para realizar as transações
via Internet
Não abra e-mails de desconhecidos
Não passe informações sobre a sua linha de celular a não
ser quando você liga para a operadora
Há operadoras que têm serviço de mandar mensagem para o seu
celular quando você realiza uma
compra com cartão de crédito, use este serviço
Quando necessitar de esclarecimentos, recorra aos funcionários conhecidos
ou identificados
Exija que as pessoas atrás de você, na fila, observem os limites das
faixas que garantem a privacidade
do uso dos caixas eletrônicos.
Os malandros visam de preferência pessoas mais idosas ou aquelas que apresentam
dificuldades em
lidar com equipamentos eletrônicos;
Ao digitar a sua senha, coloque o corpo bem junto ao teclado, impedindo que seja
vista por estranhos
que estejam próximos
Ao efetuar o pagamento com cartão de crédito, procure acompanhar o
processo evitando que o cartão
fique longe de sua vista.
fontes:Secretaria de Segurança Publica SP/Detetive André Cardelli
Transferência de créditos de celular é a ‘bola
da vez’
Os bandidos estão cada vez mais diversificados e novos golpes surgem diariamente.
O detetive particular especializado em crimes eletrônicos, André Cardelli,
conta que o mais recente é o da transferência de crédito de
celular. “Uma pessoa liga dizendo ser funcionária de uma operadora
e pede para o usuário digitar uma seqüência de números.
Quando a pessoa digita esses números, transfere todos os créditos
para outro celular”, explica o detetive.
Cardelli conta que não é preciso ser um hacker para poder aplicar
estes tipos de golpes. Ele acrescenta que muitos dos dados roubados por meio da
internet são usados na compra de crédito de celular. “Vários
destes programas que roubam dados estão vindo por meio de anexos de apresentação
de power point. Eles gravam tudo o que é feito via teclado e, quando os bancos
passaram a usar o teclado virtual, os softwares foram aprimorados para ler também
os cliques”, afirma o profissional.
Para se prevenir dos ataques, Cardelli orienta os usuários a instalarem
programas do tipo firewall, que protegem o computador contra a invasão. “Outro
conselho é evitar usar a internet nos aeroportos se a sua máquina
não tem proteção. Muitos hackers costumam ficar em aeroportos
para invadir laptops desprotegidos.” (PA/AAN)
Brasil não tem legislação sobre crimes virtuais
Há apenas três delegacias especializadas — em São Paulo,
Porto Alegre e Brasília
Apesar do crescente aumento das fraudes eletrônicas, o Brasil ainda não
tem uma legislação esp ecífica sobre crimes virtuais. Em todo
o País, há apenas três delegacias especializadas — em
São Paulo, Porto Alegre e Brasília. No caso de crimes de calúnia,
difamação e injúria por meio de e-mails e sites da internet
há enquadramento no Código Penal atual. Mas crimes como pedofilia
e clonagem de cartão bancário são registrados como atentado
violento ao pudor e estelionato, respectivamente.
Na tentativa de combater este tipo de crime, os bancos estão atuando em
conjunto com a polícia. Segundo a Febraban, todos os anos os bancos elaboram
um plano de segurança, que é submetido à Polícia Federal
(PF). Mas, para o diretor da Febraban, o maior problema é a inexistência
de uma lei que puna esses crimes. “Quando fazemos algumas operações
com a PF e alguns bandos são presos, as fraudes praticamente caem a zero.
Mas a lei é muito branda e esses bandidos são soltos e voltam a cometer
os mesmo golpes”, afirma Jair Scalco. A entidade cobra punições
mais severas para os criminosos.
De acordo com a Febraban, existe um projeto de lei na Câmara dos Deputados
sobre crimes eletrônicos há quatro anos. “Se aprovado, poderá
evitar muitos crimes dessa natureza”, disse Scalco.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou,
por meio de sua assessoria de imprensa, que não há previsão
para que a região de Campinas receba uma Delegacia de Crimes Eletrônicos.
A reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) apurou que
há apenas um investigador da Delegacia de Investigações Gerais
(DIG) destacado para investigar este tipo de ocorrência. Mesmo sozinho e sem
um computador adequado, ele conseguiu desbaratar uma quadrilha de pedófilos
que divulgava fotos de crianças pela internet.
O psicoterapeuta holístico João José Maldonado Villalobos,
de 53 anos, foi preso no dia 6 de setembro deste ano acusado de liderar uma comunidade
de pedófilos na internet com 600 participantes. Pelo que foi apurado, Cruz
recebia e transmitia para toda a comunidade fotos e filmes que mostram crianças
e adolescentes, a maioria meninas, entre 3 e 14 anos, mantendo relações
sexuais ou em poses pornográficas. (PA/AAN)
Quando resolveu contratar os serviços de um detetive particular para investigar
o seu marido, a professora Nádia (nome fictício) jamais poderia imaginar
que sua vida se transformaria em um inferno. Ela fez o acordo por telefone e não
se preocupou em checar se o tal homem tinha credencial de detetive, se tinha um
escritório e autorização da Prefeitura para atuar. No final,
acabou se transformando em vítima de chantagem. “Ele pedia dinheiro
para não falar que eu tinha mandado alguém investigar o meu marido”,
contou. Acuada e sem saber o que fazer, a professora pagou para se ver livre do
problema. Assim como outras vítimas, ela não procurou uma delegacia
de polícia para registrar a ocorrência.
Os golpes aplicados por falsos detetives têm sido cada vez mais comuns
em Campinas. O alerta é feito por detetives regularizados e pelo Sindicato
dos Detetives Particulares, Escritórios, Agências de Investigadores
Particulares e Similares do Estado de São Paulo (Sindesp). De acordo com
o detetive Milton Silveira, da Delegacia Regional do Sindicato, o Sindesp recebe
uma média de 15 reclamações por mês sobre a ação
dos falsários. “Alguns chegam a cobrar metade do preço contratado
e somem sem fazer o serviço”, acrescenta Silveira.
Ele conta que estes estelionatários não têm escritório,
costumam fornecer nomes falsos e fecham os acordos na rua. “Assim, a pessoa
não tem como reclamar porque não tem nenhuma informação
sobre o falso detetive”, esclarece o sindicalista.
A detetive particular Desireé Matallo, que trabalha no ramo há
mais de três anos e é credenciada no Sindesp, conta que muitos clientes
a procuram reclamando da ação destes estelionatários. “Isso
acaba prejudicando o nosso trabalho, mas orientamos a todos para não fornecer
informações ou discutir valores pelo telefone. Convidamos a pessoa
para vir no escritório e aí ela percebe que está diante de
um profissional sério”, diz.
Para poder atuar, o detetive particular deve se cadastrar ao Sindesp e ter inscrição
junto à Prefeitura da cidade onde atua.
Em Campinas, a atividade é regulamentada pela Lei Municipal n 10.077,
de 1999, que determina que o detetive particular ou as agências de investigações
particulares devem recolher a contribuição sindical (R$ 90,00 ao ano)
e estar devidamente cadastradas no Sindesp.
De acordo com Silveira, apenas cinco detetives que atuam em Campinas estão
com sua situação regularizada. Ele alerta que, antes de contratar
os serviços de um detetive, a pessoa pode ligar para o Sindicato (19 3237-6539)para
verificar se o profissional é cadastrado. “Outra dica é assinar
um contrato especificando o tipo de serviço a ser feito, o tempo e o preço”,
orienta Desireé.
O detetive André Cardelli alerta que os profissionais sérios
costumam anunciar em jornais que cobram pelo serviço. “É uma
garantia para a pessoa porque, nas grandes mídias, é assinado um contrato
e o profissional tem que apresentar um documento”, afirma. Cardelli acrescenta
que o Ministério do Trabalho reconhece a profissão e que ela está
incluída na classificação brasileira de ocupações.
O NÚMERO
1.000
DETETIVES
É o número de profissionais que atuam na cidade, segundo estimativas
do Sindesp
SAIBA MAIS - O que é permitido e proibido nas investigações
O que o detetive pode fazer:
Contra-espionagem comercial e industrial
Paradeiro de pessoas desaparecidas
Investigações sobre adultérios
Vigiar movimentações suspeitas em empresas e os bens nela depositados
Investigar roubos e furtos de veículos automotores
Rastreamento e varreduras de grampos telefônicos
Instalar grampo telefônico em linha de propriedade do cliente e com autorização
deste
Levantamento de fichas cadastrais de pessoas físicas e jurídicas
Levantamento de propriedades de bens móveis e imóveis de pessoas
físicas e jurídicas
Realizar campanas para investigar pessoas identificadas pelo cliente
Instalar sistemas antigrampos a pedido de clientes
Realizar serviços de vigilância e proteção física
de clientes
O que o detetive não pode fazer:
Prestar informações a terceiros, exceto se requisitado pela polícia
ou Justiça
Trabalhar em casos de crime de morte ou outros crimes, salvo com autorização
da parte ofendida Identificar
o cliente
Sindicato propõe curso superior
Fazer um curso de detetive não é garantia de que a pessoa possa
trabalhar com investigação. A detetive particular Desireé Matallo
conta que há cursos por correspondência que chegam a custar até
R$ 50,00. “Uma pessoa que faz um curso deste não está qualificada
para trabalhar como detetive. Há um código de ética que devemos
seguir”, destaca a detetive. Uma rápida busca pela internet revela
como anda o mercado da espionagem no Brasil. Há sites de venda que anunciam
este tipo de curso on-line.
O detetive Milton Silveira, da delegacia regional do Sindicato dos Detetives
Particulares, Escritórios, Agências de Investigadores Particulares
e Similares do Estado de São Paulo (Sindesp) conta que a entidade está
pleiteando junto ao Ministério da Educação (MEC) a regulamentação
de um curso superior em segurança patrimonial para a categoria. (PA/AAN)
O empresário campineiro A., de 34 anos, acreditava ter encontrado a sua alma
gêmea pela tela do computador, no maior site de relacionamentos do mundo,
o Orkut, uma febre que atrai milhares de brasileiros. Há alguns dias, seu
sonho acabou ao acordar amarrado em uma árvore em um terreno próximo
a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), depois de ser agredido pelas costas
e ter o carro, dinheiro e cartões de crédito roubados. Ele foi vítima
de um seqüestro-relâmpago ao aceitar um encontro com uma mulher que havia
conhecido apenas de modo virtual, por meio do Orkut, e cair na armadilha de um grupo
criminoso que está fazendo da internet o seu espaço para escolher
as próximas vítimas.
Tudo começou quando A. passou a acessar o Orkut em busca de novas amizades.
Neste site, milhões de pessoas criam páginas pessoais onde inserem
fotos e deixam transparecer informações íntimas, como telefone,
e-mail, viagens realizadas, nível social, bens que possui, hobbies, e hábitos
de vida. “As pessoas esquecem que estão passando
dados importantes de uma forma aberta, que todo mundo pode ter contato. Muita gente
acha que apenas os seus amigos mais próximos entrarão em sua página
pessoal e que nisso não existe risco, mas qualquer um pode descobrir tudo
sobre você com apenas um clique”, afirma André Cardelli, Detetive
Particular e consultor de segurança especializado em computadores.
Para A., tudo parecia mágico. Mesmo noivo de outra mulher,
o empresário tinha certeza que a garota que conhecia há pouco tempo
na telinha tinha tudo a ver com a sua personalidade e que poderia iniciar algo realmente
bom. “Ela pediu para entrar na minha página e começou a mandar
muitas mensagens. Depois disso, passou a citar detalhes íntimos que acabaram
dando vida a um relacionamento entre nós dois”, conta A. “Eu
ficava pensando: ‘como esse mundo é pequeno, encontrei uma pessoa que
tem a mesma forma de pensar, as mesmas angústias, os mesmos sonhos’.
Pelo Orkut, essa mulher teve contato com toda a minha vida e fui caindo no conto
dela”, afirma o internauta seqüestrado.
As palavras doces da mulher desconhecida atraíram facilmente
o empresário, que decidiu dar um passo adiante e marcar um encontro verdadeiro
em uma boate da cidade. O fato dela ter mencionado que desejava fazer sexo aumentou
o interesse ainda mais. “Quando cheguei ao local combinado, meu celular tocou
e era ela. A menina disse que não podia entrar na boate porque haviam pessoas
conhecidas lá e pediu para que eu fosse encontrá-la em uma rua próxima.
Só me lembro de estar na frente de um carro com o farol alto, ver uns caras
aparecendo do nada e tomar uma pancada na cabeça”, diz A., comentando
que, por motivos pessoais, sequer registrou um boletim de ocorrência sobre
o fato. “Não queria que ninguém soubesse. Se existem os malandros,
é porque existem os otários. Eu fui o otário.”
O grupo deixou o empresário amarrado pela madrugada e ele
só foi localizado horas mais tarde, já com o céu claro, por
um morador da região. Dias depois, A. foi surpreendido por uma movimentação
de cerca de R$ 20 mil em sua conta bancária. “Fizeram sete retiradas
de dinheiro em meu nome e um financiamento. O banco não desconfiou de nada,
um absurdo”, afirma.
Mesmo depois de tantos problemas e de enfrentar o risco de ter sido
morto, o empresário admite que ainda passa uma média de quatro horas
por dia na internet. “Também acesso o Orkut umas duas horas por semana,
mas reduzi muito as informações sobre mim no site. Tirei fotos e dados
da minha rotina. Gostaria de alertar as pessoas a fazerem o mesmo com suas páginas”,
disse A., que acabou perdendo, além dos bens materiais, a noiva também.
‘Espaço serve para o bem ou para o mal’
Quatro horas por dia em frente ao computador e seis meses de um namoro virtual,
onde nenhum dos dois lados teve um segundo de contato real, mesmo pelo telefone.
Com 22 anos de idade, a fisioterapeuta que prefere se identificar apenas como M.
é uma fã fervorosa do Orkut. Até o momento, ela acumula 275
amigos em sua página pessoal, sendo 10% deles pessoas que ela nunca viu na
vida.
“Realmente, você se expõe. Quando é convidada a entrar
no site por algum conhecido, a pessoa pode preencher um questionário onde
é perguntado até mesmo qual é o telefone da casa dela. Eu evitei
responder as questões mais íntimas, mas você ficaria abismado
com os detalhes que muita gente aceitar mostrar”, disse a internauta.
O esperado encontro real de M. com o namorado virtual, um carioca, deve acontecer
no próximo mês de maio. A família está apreensiva com
a história toda. “Minha irmã acha que esse cara é uma
fraude, um velho dizendo que é garoto”, conta M.
Até mesmo uma foto dos dois abraçados, exposta na página
pessoal de M., foi montada por computador. Como nunca se viram, fica até
mesmo a dúvida se o rosto do rapaz é aquele mesmo enviado por e-mail.
“O Orkut tem o lado positivo de unir pessoas distantes. Não é
possível que numa rede enorme de amigos todos sejam falsos ou estejam mentindo.
Mas precisamos ter cuidado”, diz a fisioterapeuta, que já foi ofendida
na internet por um rapaz que insistia em conversar com ela e acabou levando um não
como resposta. “Esse espaço serve para tudo, para o bem ou para o mal”,
arremata.
Expor intimidade na internet é um risco
Laerte Goffi Macedo, diretor do Departamento de Polícia Judiciária
do Interior-2 (Deinter-2), disse que as pessoas têm se arriscado muito ao
expor a sua intimidade na internet e isso pode realmente facilitar a ação
de bandidos interessados em roubos e seqüestros. “Toda exposição
é perigosa”, alerta.
Para a Macedo, não há como se ter certeza se o outro internauta
que mantém um diálogo apenas pelo teclado tem boas ou más intenções.
“Não é possível ter o controle sobre o que as pessoas
pensam quando estão neste meio. Por isso, todo cuidado é importante
na hora de divulgar detalhes pessoais”, afirma o policial.
A Delegacia de Meios Eletrônicos de São Paulo, que faz parte do
Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), está
preparada para vasculhar computadores atrás de bandidos infiltrados nos sites
de relacionamentos. O trabalho mais específico feito pelos policiais deste
setor é o combate à pedofilia, mas outros crimes já têm
chamado a atenção.
Além do seqüestro-relâmpago de um empresário em Campinas,
as informações contidas no Orkut também foram a suposta causa
de um assassinato na semana passada em Ribeirão Preto. O empresário
João Carlos Duarte Paiva Arantes, de 34 anos, levou 15 tiros no posto de
combustível de propriedade de sua família no último dia 18.
A Justiça decretou a prisão preventiva de três suspeitos.
O motivo do crime teria sido o fato de Arantes ter colocado no Orkut a informação
de que uma pessoa conhecida da cidade teria saído com um travesti. A vítima
da piada teria contratado matadores de aluguel para se vingar. A polícia
investiga os detalhes do caso.
Por dentro da mania
O site
O Orkut tem mais de 2 milhões de usuários. 47% têm entre
18 e 25 anos. 23% dos associados são brasileiros.O Brasil é o segundo
país que mais usa o serviço, só perdendo para os EUA, com 36%.
O significado
É uma rede virtual de relacionamentos. Cada usuário tem uma página
em que exibe seu perfil, com fotos. É possível conversar com amigos
e entrar em grupos de discussão de interesse comum.
Como entrar
Só entra quem é convidado por outro usuário. Uma vez dentro
do sistema, o novo associado tem que compartilhar seus dados pessoais e preferências
com os demais.
Microdispositivo eletrônico é introduzido sob a pele da vítima
potencial e permite a localização do refém em qualquer lugar
Correio Popular
Um microchip subcutâneo, do tamanho de um grão de arroz, que já
é usado no Estado de São Paulo por 42 famílias de banqueiros,
empreiteiros, empresários e executivos de multinacionais – cerca de
200 pessoas –, surge como a mais nova arma anti-seqüestro disponível
no mercado. O aparelho colocado sob a pele possibilita a localização
da pessoa via satélite onde quer que esteja. Ao preço de US$ 10 mil,
esse novo objeto do desejo tem uma fila de espera em todo o Brasil de 1.118 famílias,
das quais 215 são da região de Campinas.
O aparelho faz parte de uma parafernália anti-seqüestro que inclui
carros blindados e equipados com GPS (Global Positioning System – sistema
de posicionamento global), celulares com rastreador, câmeras para monitoramento,
coletes à prova de bala e, principalmente, homens treinados para serem guardas-costas
vips.
O que impulsiona o surgimento desses mecanismos são os números
dos crimes de extorsão mediante seqüestro registrados nos últimos
três anos. De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública,
em 2002 foram 321 casos; em 2003, ocorreram 118 e, no ano passado, 112. Somente
na região administrativa de Campinas, formada por 90 municípios, foram
21 seqüestros em 2004. Os seqüestros-relâmpago (quando a pessoa
fica algumas horas em poder de bandidos para saques de dinheiro em caixas eletrônicos),
cujos números não são computados pela Secretaria, também
servem para aquecer o mercado anti-seqüestro.
O consultor de segurança privada Ricardo Chilelli, dono da R.C.I. First
Security Intelligence Advisng, na Capital paulista, responsável no Brasil
pela comercialização do microchip, disse que trata-se “de um
componente a mais de uma gestão de segurança”. O microchip não
evita o seqüestro, porém, se a pessoa for presa por uma quadrilha, poderá
ser localizada em qualquer lugar.
O microchip tem o tamanho de um grão de arroz e custa US$ 10 mil, ou,
entre US$ 200 a US$ 1 mil mensais, conforme o serviço contratado. É
colocado sob a pele com uma pistolasemelhante àquela usada para aplicar vacina
e sua durabilidade é de dois anos.
“A pessoa chipada passa a ser monitorada permanentemente. A base do rastreamento,
porém, não é no Brasil. Está na América do Norte.
O usuário tem um código alfanumérico justamente para evitar
a identificação e fica registrado no software a rotina de cada cliente.
Em caso de ele fugir da rotina sem avisar a base, o alarme será acionado”,
explica o consultor de segurança.
Chilelli explica também que no Brasil não existe regulamentação
nem legislação para o uso do microchip. “A legalização
depende de uma série de fatore, inclusive da autorização da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa”, comentou
Chillelli. “Se a base do monitoramento viesse para o Brasil o custo seria
reduzido”.
O minúsculo chip de computador vem pré-programado com uma seqüência
de números e envolvido por uma cápsula feita de um material chamado
biovidro para não causar danos à saúde. O aparelho já
é usado em animais.
‘Marca-passo’
“Não há problemas para a pessoa implantar esse aparelho no
corpo. E também não deve haver nenhuma interferência em sensores
de agências bancárias e aeroportos. Pode-se dizer que é como
se fosse implantando um marca-passo”, comentou o cirurgião plástico
José Roberto Hansen, diretor do Serviço de Atendimento Médico
de Urgência (Samu) de Campinas.
O consultor de segurança que comercializa o microchip em São Paulo
tem um grupo de interessados. “Tenho sido procurado diariamente por pessoas
milionárias de todo o País. Por isso, resolvi fazer uma espécie
de lista de espera cadastrando 1.118 famílias. Já existem 42 famílias
chipadas”, afirmou.
“O interesse de pessoas de alto poder aquisitivo que moram, trabalham e
freqüentam a região de Campinas é grande”, disse Chilelli.
“O medo desses milionários é ficar num cativeiro e sofrer seqüelas
físicas e psicológicas por muito tempo. Esse microchip iria ajudar
a polícia a achar o seqüestrado”, observa.
Só milionários têm acesso à novidade
O microchip, com custo mensal de US$ 10 mil por usuário, é apenas
um componente da parafernália utilizada para proteger potenciais vítimas
de seqüestros, que inclui celulares com rastreadores e carros equipados com
GPS. Os custos elevados fazem da segurança particular, que emprega alta tecnologia,
um serviço restrito a milionários. Um veículo blindado, por
exemplo, custa R$ 120 mil e uma boa equipe de segurança pessoal – para
a família – custa em torno de R$ 20 mil mensais.
Inteligência
Um Detetive Particular e consultor de segurança de Campinas,
André Luiz Cardelli, afirma: “O grande furo da segurança pessoal,
esta na segurança da informação, o crime organizado tem como
arma, a inteligência”.
André como você ingressou na área de consultoria
de segurança pessoal?
R: Minha formação é de analise de sistemas,
em 2000 fui convidado a participar do corpo letivo do primeiro curso ministrado
em Campinas de segurança pessoal.Hoje trabalho com investigação
particular e consultoria em segurança,
Quais os crimes mais praticados contra a pessoa no Brasil?
R: Extorsão, seqüestro relâmpago e seqüestro
de cativeiro.
Qual é a diferença entre eles?
R: A diferença está na prática do rapto. Na
extorsão, o rapto não acontece e no seqüestro ocorre primeiro
o rapto e depois a extorsão.
O seqüestro de cativeiro vem aumentado a cada dia. Na sua opinião
qual é o motivo?
R: O motivo está na evolução tecnológica
da segurança e um exemplo disso são as quadrilhas de roubo a banco
que migraram para o seqüestro depois que as a agências bancárias
implantaram as portas giratórias com os Detectores de metais.
Em que ano ocorreu o primeiro seqüestro no Brasil?
R: Em 1988, o seqüestro do empresário Abílio
Diniz.
Qual é a principal diferença entre os primeiros seqüestros
para os de hoje?
R: A diferença, esta nos modos de operação
das quadrilhas, hoje percebemos que o crime esta mais organizado e os criminosos
utilizam mais tecnologia para investigar a rotina das vitimas.
Mudou também o perfil das vítimas?
R: Com certeza, antigamente eram escolhidos somente milionários
e celebridades, hoje, infelizmente, o seqüestro esta se popularizando.
Como a quadrilha escolhe uma vítima?
R: As quadrilhas utilizam métodos de investigações,
que são trabalhados a partir de informações da vida social
da vitima, que na maioria das vezes tem origem doméstica.
Como é feita essa investigação?
R: As quadrilhas organizam redes de informações com
métodos de inteligência, exemplo: Grampo telefônico, quebra de
sigilo bancário, campanas e investigação de rua.
Como conseguem esses recursos?
R: Por meio de corrupção e extorsão.
E o seqüestro das mães dos jogadores de futebol?
R: Esse perfil de vitima, é uma prova que a informação
é a alma do negócio, a quadrilha acaba levantando a informação
pela a imprensa, que divulga abertamente a vida social e financeira dos jogadores,
as famílias, não possuem um esquema de segurança, facilitando
assim a ação do crime organizado.
Qual a melhor maneira de proteção contra o seqüestro?
R: A maior arma é a proteção da informação.
Como proteger a informação pessoal?
R: Evitando falar sobre sua rotina no telefone ou em rodas sociais.
E o PCC é o maior responsável por crimes de seqüestro no Brasil?
R: Não, são varias quadrilhas e facções
nessa modalidade de crime. O PCC tem uma atuação mais diversificada,
patrocina rebeliões e resgates de presos, rouba bancos e carros de transporte
de valores, pratica extorsão de familiares de detentos, extorsão mediante
seqüestro e tráfico de entorpecentes, possuindo conexões internacionais.
Tanto dentro como fora dos presídios.
Como o PCC consegue informações sigilosas das vitimas
de seqüestro e extorsão?
R: Através de extorsão de funcionários das
instituições bancarias e telefônicas.
Obs: Os funcionários que sofrem a extorsão são
na maioria das vezes, parentes de presos. Não cedendo as chantagens, seus
entes sofrem retaliação no presídio.
Como evitar que minha linha telefônica seja grampeada?
R: Não existe nenhum método cem por cento seguro,
principalmente depois da privatização da telefonia no Brasil, as empresas
prestadoras de serviços passaram a terceirizar as equipes de manutenção
e com isso aumentou a quantidade de pessoas que tem acesso à rede telefônica.
Aqui vai uma dica simples para proteger seu telefone fixo:
1° Passo:- O número de telefone que você vai divulgar
não pode estar instalado em seu endereço residencial.
2° Passo - Peça uma linha telefônica em outro endereço,
e configure um recurso de transferência de ligações para o telefone
que estará conectado em sua residência..Assim sendo, ninguém
saberá qual é o numero a ser grampeado.
Conclusão: Se alguém tentar grampear o número
que você divulgará, como sendo o residencial, não conseguirá
gravar nada, pois as ligações estarão sendo transferidas.
E o celular é mais seguro que o telefone fixo?
R: Sim, tecnicamente é muito mais difícil grampear
um telefone celular do que um fixo.
Qual é o meio de comunicação mais segura?
R: Prefiro dizer menos vulnerável.Tecnicamente o menos vulnerável
é o celular do tipo GSM.Se possível troque sempre o chip.
E a informação na Internet, como se proteger?
R: Sites de encontros e salas de bate-papo, já foram usados
por varias quadrilhas internacionais para levantar informações das
vitimas de seqüestro.Se você quiser usar Internet para isso, use um micro
que não contenha nenhuma informação sigilosa, ou utilize discos
rígidos removíveis.
Com a utilização de Firewall e Antivírus, estou
protegido?
R: De maneira nenhuma, pois de nada adianta uma proteção
de fora pra dentro. Na maioria das vezes o usuário não obedece a normas
de segurança, e abre e-mails de origem desconhecida, que podem conter vírus
espiões (spyware).
Qual é sua opinião sobre carros blindados?
R: Sem duvida é uma boa opção de segurança,
mais temos que salientar que no Brasil as empresas de blindagem não modificam
detalhes técnicos dos veículos. Tais como: Suspensão e freio,
para acompanhar a modificação do peso do carro blindado.
Depois de blindado, quantos quilos um carro passa a ter?
R: O peso acrescido ao veículo pela blindagem depende
de dois fatores:
a. nível de proteção da blindagem: quanto maior o nível
de proteção, maior quantidade de material deve ser utilizada no processo
de blindagem, e conseqüentemente, maior o peso acrescido ao carro. Deve-se
tomar cuidado para não comparar blindagens feitas com tecnologias diferentes,
como veremos a seguir.
b. tecnologia usada nos materiais utilizados: quanto maior a tecnologia utilizada
na blindagem, menor o peso que ela apresentará. Como a tecnologia usada nos
materiais de blindagem vem da indústria aeronáutica e o fator peso
em aviões é crucial para o desempenho destes, as blindagens automotivas
acabaram se beneficiando desses desenvolvimentos.
Em resumo:
- Blindagens de última tecnologia, para o nível IIIA da norma NIJ
(resistente a projéteis de 44 magnum), devem acrescer cerca de 77 kg de vidro
e 30 kg de painéis de Kevlar (aramida fabricada pela DuPont), totalizando
cerca de 107 kg de materiais nobres.
- Blindagens de baixa tecnologia, feitas com vidros de 21 mm e painéis de
aço, devem acrescer cerca de 120 kg de vidro e 147 kg de aço (peso
total de 267 kg), ou seja, 140 kg a mais do que no carro descrito no item anterior.
Qual marca e modelo de carro, é melhor para blindar?
R: Os pequenos utilitários: Saveiro, Montana, Fiat
Estrada entre outros.
Por quê?
R: Além de serem utilitários e estarem preparadas para carregar
mais peso, as “Picapinhas” como são conhecidas, chamam menos
atenção das quadrilhas de furto, em comparação aos grandes
utilitários a Diesel.
Ter segurança pessoal, evita realmente o seqüestro?
R: Se o serviço for prestado por profissionais a resposta
é afirmativa.
Qual é o preparo que o segurança pessoal deve receber?
R: Além dos cursos tradicionais o segurança deve receber:
treinamento para atuação em rua, noções de contra espionagem,
treinamento psicológico e pilotagem automobilística.
O segurança pessoal pode trabalhar armado?
R: Somente os contratado por uma empresa de segurança privada.
Você é a favor do segurança pessoal trabalhar
armado?
R: Jamais.A segurança pessoal deve ser preventiva, não
ofensiva.
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